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A tração lombar aumenta a espessura do disco intervertebral e alivia a dor em 6 semanas.

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Christian C Apfel, Ozlem S Cakmakkaya, William Martin, Charlotte Richmond, Alex Macario, Elizabeth George, Maximilian Schaefer, Joseph V Pergolizzi. Restoration of disc height through non-invasive spinal decompression is associated with decreased discogenic low back pain: a retrospective cohort study. BMC Musculoskeletal Disorders 2010, 11:155. 

* veja original em inglês após o resumo. 

 

Este artigo publicado em 2010 na BMC Musculoskeletal Disorders foi fruto de uma pesquisa realizada pela equipe do Dr. Christian C. Apfel, do Departamento de Anestesia e Cuidados Preoperatórios da University of California San Francisco.

O objetivo do estudo foi determinar se mudanças na dor lombar, antes e após 6 semanas de descompressão motorizada não-cirúrgica lombar, estão correlacionadas à altura do disco intervertebral, medido por Tomografia Computadorizada (TC).

Os critérios de inclusão na pesquisa foram: ter mais de 18 anos, consentir com um protocolo de tratamento de 6 semanas, apresentar dor lombar de pelo menos 3 pontos, numa escala verbal de 11 pontos (zero a dez), e apresentar problema discal identificado na TC. Critérios de exclusão foram: histórico de câncer, cirurgia de artrodese ou substituição discal, déficit motor neurológico, disfunção esfincteriana ou sexual, abuso de álcool ou outras drogas, pacientes em processo trabalhista relacionado à lombalgia, e pacientes que ultrapassem as limitações do aparelho utilizado, ou seja, menor que 1,47m ou maior que 2,03m de altura, ou com mais de 136 kg.

Foi utilizado um aparelho de tração mecânica computadorizado, e o protocolo foi composto por 22 sessões. Em cada sessão, o paciente era submetido a 28 minutos de tração lombar. Nas duas primeiras semanas os pacientes foram submetidos a sessões diárias (5 sessões, de segunda a sexta-feira), e nas 4 semanas seguintes foram realizadas sessões na segunda, quarta e sexta-feira. A carga de tração inicial utilizada foi de 4,5 kg abaixo da metade do peso corporal do paciente. Se o paciente descrevesse a sensação de tração como “dolorosa” ou “forte”, ela era reduzida em 10-25%. Nas sessões subsequentes a carga foi aumentada até 4,5 a 9 kg acima da metade do peso corporal do paciente. Foi permitido que os pacientes utilizassem medicação analgésica caso sentissem dor durante o período da pesquisa, mas descontinuar o uso assim que possível.

Entre os anos de 2005 e 2007 foram tratados 103 pacientes utilizando o protocolo de intervenção, mas apenas 30 destes pacientes concluíram a pesquisa. Foram 9 homens e 21 mulheres, média de idade de 65 (±15) anos, IMC médio de 29 (±5) kg/m2, duração média da lombalgia de 12,5 (±19) semanas, com um escore médio de 6,3 (±2,2) na escala de dor.

A média da dor lombar diminuiu de 6,3 (±2,2) para 1,6 (±2,3 com p<0,001), e a altura do disco aumentou de 7,5 (±1,7) mm para 8,8 (±1,7) mm (p<0,001).

Houve correlação significativa entre a redução da dor e o aumento da altura do disco (r=0,36 com p=0,044). Cada 1mm na aumento na altura do disco está associado a redução de 1,86 ponto na escala verbal de dor (de 11 pontos).

Os autores reconhecem alguns vieses metodológicos no estudo, no qual o principal seria a ausência de um grupo controle.

 

Comentários próprios do Blog da Fisioterapia Científica:

O estudo tem alguns pontos bastante interessantes:

1) O fato de que a pesquisa poderia ter sido tendenciosa, já que foi desenvolvida por médicos que têm relação direta com as cirurgias (anestesiologistas). Mas os resultados são claramente favoráveis à tentativa de realizar o tratamento não-cirúrgico, no caso desta pesquisa, a tração mecânica.

2) O alto número de pacientes excluídos depois de terem iniciado o protocolo (73 pacientes, que corresponde a 71% da amostra). O problema é que no artigo não são citadas as causas dessas exclusões (apenas diz que não preencheram os critérios de inclusão e/ou exclusão). Sabemos que em um programa de tratamento mais completo, a tração mecânica é parte do tratamento, e não o instrumento único, como foi o caso nesta pesquisa. Além disso, é possível que uma parte dos pacientes tenha piorado dos sintomas (por causa da tração) e por isso abandonou a pesquisa.

3) Pela nossa experiência clínica com o uso da tração mecânica, o protocolo utilizado nesta pesquisa é aplicável a uma parte dos pacientes que tem lombalgia, mas a maioria dos pacientes com lombalgia associada a problemas discais necessita da utilização de outras técnicas associadas à tração mecânica.

4) A ausência de um grupo controle e um grupo placebo impossibilita a certeza de que o alívio da dor lombar e até o aumento da altura do disco tenha sido provocado pela utilização da tração mecânica.

5) A correlação entre o aumento na altura do disco e a redução da dor teve o r=0,36 (p=0,044). O valor do r significa quão forte é a correlação entre as variáveis, que pode variar de -1 a +1. Quanto mais próxima de +1, mais forte a correlação positiva. O valor de r=0,36 corresponde a uma correlação fraca entre as variáveis. Isso significa que, neste estudo, o aumento na altura do disco foi responsável por 36% da redução da dor nestes 30 pacientes. Portanto, os outros 64% do alívio da dor são devido a outros fatores que não foram investigados nesta pesquisa.

 

Responsável: Ft. Ms. Jailson Ferreira

 

 

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