Tamanho do texto:A-A+

Fisioterapia X Fisioterapeuta

2 comentários
Imprimir Enviar por email para um amigo
fisioterapia manual fisioterapeuta

A fisioterapia brasileira teve um crescimento científico galopante nos últimos anos. Muitas universidades e instituições de ensino contribuíram e estão colaborando para essas mudanças. Houve uma mudanças drástica no corpo docente das universidades. Tudo isso em tão pouco tempo (sim, em pouquíssimo tempo), pois há doze anos não se falava em fisioterapia baseada em evidência. Nós estávamos habituados com mudanças lentas, principalmente no segmento da saúde, mas hoje, devido à globalização e à internet, tudo se tornou próximo e rápido.

Os jovens fisioterapeutas que estão focados nesse sentido se dedicam somente às condutas fisioterapêuticas que tenham evidência científica. Os conferencistas não falam mais de experiências clínicas – apenas apresentam e comentam os seus próprios artigos ou os de colegas, publicados em revistas e sites. Presenciei por várias vezes em congressos internacionais, o palestrante não responder perguntas que não sejam pertinentes a uma evidência científica. Eles simplesmente ignoram e não respondem, não comentam sobre experiências clínicas de profissionais que vivenciam o dia a dia do paciente.

Perguntas: Que direção devemos seguir? Devemos mergulhar unicamente nos tratamentos baseados em evidências? E como ficam aquelas técnicas que você adota e surtem excelentes resultados? E quando não encontramos direção científica para determinadas patologias ou lesões que afetam pessoas de biotipo fora do convencional? Nesse sentido, devemos então menosprezar e abandonar toda a riqueza da fisioterapia brasileira, que foi construída com improviso, liberdade e muita casuística. Hoje a fisioterapia brasileira é respeitada em todo o mundo pelo que foi plantado no passado e não pelo que está sendo plantado.

Acompanho alguns fisioterapeutas que fazem e fizeram pós-graduação ou  mestrado em instituições que primam unicamente por evidência científica nas suas grades de ensino. Alguns colegas chegam a ser arrogantes e pedantes. Colocam a marca da instituição que estão estudando na frente de si e da própria profissão. Mas, quando o tempo dos estudos expiram… Tudo muda, o mercado exige habilidade, independência e experiência clínica. O ”gesso” e os “protocolos” não têm vez aqui fora não. O mercado exige multidireções  dos profissionais e múltiplas tomadas de decisões clínicas. O quadro é lamentável, são muitos profissionais que se decepcionam com a realidade e os poucos que permanecem atuando ficam presos a instituições médicas. Com isso, ficam impedidos de mostrar seus talentos e consequentemente evidenciar a profissão de fisioterapia.

Gostaria apenas que houvesse uma reflexão sobre a realidade da fisioterapia brasileira. Penso que todos concordam que evidência cientifica deve caminhar junto com experiência clínica, mas infelizmente não é isso que acontece no Brasil. Quando falo que o mercado aqui fora é cruel, não falo apenas do campo fisioterapêutico, chamo a atenção para o mercado em geral. Precisamos de fisioterapeutas independentes, de coragem e de sucesso nas diversas especialidades. Somente com fisioterapeutas desbravadores, empreendedores, administradores, com espírito de cooperativismo, humilde e, acima de tudo, com excelência profissional, é que podemos conquistar de uma vez o respeito que tanto merecemos. E se a evidência científica puder se juntar a tudo isso, imagine aonde poderemos chegar…

Helder Montenegro

  • marcio_tc

    Helder Montenegro concordo com você precisamos olhar para frente e nos desassociar do ranço do passado, praticar e aprofundar a fisioterapia com experiências clínicas e associar a evidência cientifica.
    Algo difícil ao meu ver é o espírito de cooperativismo. A classe ainda carrega consigo o individualismo e a arrogância e muitas vezes desrespeito.
    Parabéns pela iniciativa.

  • Ubiratan Gregorio

    CONCORDO COM OS COMENTÁRIOS…SOU FORMADO HÁ 33 ANOS E ATUANDO, PROCURO FAZER QUASE TODOS OS CURSOS ATUAIS COMO PILATES, RPG, PERICIA TECNICA JUDICIARIA, DERMATO, TODOS QUE APARECEM DE CURTA DURAÇÃO PARA FICAR ATUALIZADO… POREM O IMPORTANTE É A CRIATIVIDADE E A EXPERIENCIA CLINICA QUE TENHO HÁ MAIS DE 33 ANOS, POIS CADA PACIENTE TEM UMA REAÇÃO A DETERMINADOS TRATAMENTOS… JÁ OBSERVEI PACIENTES COM O MESMO DIAGNÓSTICO RESPONDENDO EFEITOS TERAPEUTICOS CONTRÁRIOS. EX.: A CRIOTERAPIA SURTIU EFEITO EM UM PACIENTE COM DORES REUMÁTICAS E NÃO CAUSOU MELHORAS EM OUTRO PACIENTE QUE TINHA O MESMO DIAGNÓSTICO. A EXPERIENCIA CLINICA É DE FUNDAMENTAL IMPORTANCIA PARA TODAS PROFISSÕES LIGADAS A SAUDE, POIS MEDICINA, FISIOTERAPIA, ENFERMAGEM, ETC. NÃO SÃO PROFISSÕES DAS AREAS EXATAS ONDE 2 MAIS 2 É IGUAL A 4. UBIRATAN GREGÓRIO – FISIOTERAPEUTA – FORMADO PELA PRIMEIRA TURMA DA FRASCE NO RIO DE JANEIRO EM 1980.

  • Categorias

  • Tags

  • Receba nosso conteúdo
    por e-mail