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Prática clínica X Evidência científica x Arrogância

3 comentários
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Recentemente fiquei duas semanas fora da minha cidade participando de eventos científicos relacionados com a fisioterapia. Tenho que fazer isso com frequência, pois coordeno muitas operações na fisioterapia que me obrigam estar atualizado e atento para novas tendências da nossa profissão.

Cada vez mais fico convencido de que o caminho para se praticar saúde com respeito, ética e honestidade é através da medicina baseada em evidências. Acredito que, num futuro próximo, os pacientes e os seguros de saúde irão cobrar essa conduta do profissionais e quem não praticá-la será “carta fora do baralho”. A fisioterapia baseada em evidências não ficará para trás nesse contexto, seremos cobrados também da comunidade científica e principalmente pela sociedade, pois essa irá cada vez nos exigir bons resultados.

Infelizmente constatamos que nesse contexto existem várias fisioterapias, uma que continua fazendo para todos os pacientes e doenças tratamentos com gelo, tens, ultrassom,… E uma outra que procura se basear nas pesquisas científicas. Existem também alguns fisioterapeutas que se propagam como seguidores “cegos” das evidências científicas, que não adotam condutas ou técnicas que não tenham evidências. Esse é um grupo menor, porém, é o mais arrogante. São os que “se acham” e, normalmente, são colegas ligados ao meio acadêmico, aos hospitais, trabalham com médicos que querem ter as suas clínicas de fisioterapia como troféu para expor nos congressos e eventos científicos. Dessa forma, os jovens fisioterapeutas não têm independência clínica, se perdem quando são desligados dessas instituições, não são bem-sucedidos com os seus empreendimentos pessoais, ficam limitados apenas ao meio acadêmico.

A profissão fisioterapia exige peculiaridades que vão além das fronteiras científicas. Entender o paciente é o primeiro enigma, seu comportamento, sua profissão, seu esporte, suas atividades no dia a dia, seu momento atual,… Tudo isso terá uma grande repercussão na conduta que devemos adotar. Seguindo para área técnica, outras observações ultrapassarão a linha científica: qual a força que devo impor com as minhas mãos no paciente, qual intensidade, quanto tempo devo permanecer, qual a velocidade da manobra, quantas sessões devo realizar para evoluir para uma nova etapa do tratamento. Penso que seja muito difícil quantificar tudo que realizamos de forma empírica, seguir unicamente o caminho das pesquisa científicas é podar o que de melhor existe no fisioterapeuta, que é habilidades, destreza, jeito e principalmente manualidade.

A fisioterapia baseada em evidência deve nos proporcionar um norte para as nossas condutas e não um “gesso”.

Helder Montenegro

  • Sâmara Mota

    Um excelente texto Dr. Helder. Muito realista!

  • Paulo H. Quilici

    Parabéns pela humildade, conhecimento científico, seriedade e dedicação! Sou anestesiologista tenho 46 anos, sedentário mas com bom biotipo, porém sofro há mais de 10 anos de artrose degenerativa da coluna lombar idiopática. Será que o colega poderia me indicar algum profissional com ” técnica” por perto de minha cidade, Campos dos Goytacazes , Rio de Janeiro. Gde abraço e sucesso!!! Paulo Henrique Quilici. @= phquilici@gmail.com

  • Flávio

    Concordo! Estamos rumando para a fisioterapia BASEADA em evidências, e não podemos deixar que se torne RESTRITA as evidências…

    Flávio
    flavio.osteopata@gmail.com

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