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“I have a dream…” por Philippe Souchard

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I HAVE A DREAM
Philippe Souchard (Outubro 2012)

Oh, certamente, não se trata daquele expresso no maravilhoso discurso pronunciado em agosto de 1963 pelo gigante que foi Martin Luther King. É um pequeno sonho à minha medida, cuja modesta pretensão é de guiar-me na minha vida profissional e que me faz pensar, nos meus momentos de otimismo, que poderia servir de inspiração para alguns colegas.

Este sonho tem suas raízes na luta que conduziu ao reconhecimento da Reeducação Postural Global, a RPG. As descobertas podem ser fruto do acaso, de constatações empíricas, da recusa de certos paradigmas ou de um salto adiante, concluindo, de maneira totalmente original, trabalhos inacabados. Todos esses elementos presidiram, cada um à sua maneira e em proporções variadas, o nascimento do método. Entretanto, convém precisar imediatamente que o empirismo, em si, não é condenável. Ele é, em particular, fruto da observação e da experiência.

A descoberta dos fundamentos da RPG : a importância da função estática, o encurtamento dos músculos tônicos e suas consequências sobre a morfologia, bem como os primeiros alongamentos destinados a remediá-los, podem portanto ser qualificados de empíricos sem, por isso, precisar enrubecer de vergonha. Contudo, rapidamente impõe-se uma escolha. Será preciso contentar-se com resultados clínicos, certamente demonstrativos, mas não justificáveis segundo os critérios da evidence based practice (Pedro Scale; Jacad Scale… ) ou empreender um procedimento científico, que sabemos semeado de armadilhas.

Após alguns anos de guerra aberta contra os dogmas clássicos, a razão venceu : era preciso que eu fizesse mudar as coisas desde o interior, passando pelo processo acadêmico codificado, único capaz de fazer admitir o mérito da descoberta… a menos que quisesse fechar-me, como alguns, em uma postura de guru ou de vale-tudo, como bem sublinhou, sob os aplausos, um conferencista do nosso congresso nacional italiano, no início do mes de outubro.

O orador inflamado dos primeiros tempos devia ceder lugar ao profissional responsável. Alguns dos meus primeiros alunos tiveram dificuldade em admití-lo, tão evidente lhes parecia, como a mim mesmo à época, que convinha destruir os princípios existentes, para esperar reconstruir sobre bases inteiramente novas. Foi aí que o bom senso foi posto à prova pela primeira vez. As pesquisas fundamentais são raramente criticáveis, quer estejam inscritas no quadro relativista como no racionalista.

É preciso então separar o joio do trigo, identificando com precisão a partir de que ponto conclusões lacunárias ou mesmo errôneas foram tiradas de pesquisas aparentemente indiscutíveis, que aspectos de certos fenômenos não foram ainda explorados.

Estabelecido este primeiro ponto, convém proceder a experimentações suscetíveis de determinar « a prova do contrário ». É um percurso do combatente e nunca é de boa vontade que um inovador aceita bater-se em terreno hostil, deixando, por força, a escolha das armas a seus adversários. Eu fiz a experiência. Mas é preciso convencer-se de que nossa profissão só pode progredir a esse preço.

I have a dream! Não somente aquele de aceder à coroação indispensável da evidence based practice, mas, igualmente, o de confirmar da maneira mais sistemática possível, o que eu chamo de evidence successfull practice, objetivada pela satisfação de nossos pacientes.

Opera-se uma evolução, nesses últimos tempos, para valorizar a importância desses testemunhos e codificá-los da forma mais detalhada e objetiva possível. O questionário SF-36 é um excelente exemplo disso. Expressei meu desejo de que ele apareça, se possível, no software Inovar que vai sair proximamente.

É um sonho de bom senso, relacionado ao fato de que não é fácil quantificar o funcional. Para mim, as duas « evidences » estão intimamente ligadas : nada de sucesso terapêutico sem metodologia irrepreensível. Ora, constato todos os dias que fendas se abrem : entre terapeutas, entre as formações universitárias, sobretudo entre os cursos pós-universitários e, mesmo, entre culturas nacionais.

Em nome de quê, um fisioterapeuta brasileiro que, por seu longo cursus universitário, merece o maior respeito, deveria ele contentar-se de surfar na onda da última moda em Fisioterapia, enquanto um nórdico exige, antes de tudo, que os métodos sejam integralmente ligados a seus autores e aceitos cientificamente? Não há nenhuma chance de que um pequeno curso de técnica de terapia manual « jeitosinho » entre no Canadá. A Ordem dos Fisioterapeutas faria oposição imediatamente e, de qualquer forma, nenhum profissional se arriscaria a seguí-lo. É preciso passar suas provas. Eu mesmo precisei dobrar-me às normas locais.

Temos o direito de considerar que se trata aí de um outro excesso. Mas, o último congresso da Association Mondiale de Thérapie Manuelle – IFOMPT, que se desenrolou na cidade de Québec neste outono e onde Iñaki Pastor representou a RPG, foi de tal nível de qualidade, que mostrou claramente que o caminho da exigência científica é aquele pelo qual deve enveredar nossa profissão.

Este exemplo deve servir a meditar…

Ph. E. SOUCHARD
Outubro 2012


  • Muito importante esse texto, pois remete a qualidade de que tanto precisamos em nossa profissão.

  • Muito importante este texto, pois remete a qualidade de que precisamos desde nossa formação até no exercício da fisioterapia.

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