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O masso-rob (parte 2)

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(Leia aqui a primeira parte)

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Nenhuma sombra havia jamais obscurecido as relações que entretinham Alphan e Hugo.

Ambos contavam a quarentena dinâmica e, embora fossem os dois amadores de morenas rechonchudas, preferiam, frequentemente, reunir-se entre homens para filosofar e analisar a situação política do Império.

Chegavam, invariavelmente, a sonhar com um mundo menos poluído, menos robotizado, com um governo central mais democrático e mais humano. Chamavam a isso refazer o mundo estilo “bate-papo de bar da esquina”. Alphan não fazia mistério dos seus sonhos humanistas e isto já havia até prejudicado sua carreira. Invejava seu amigo por este haver seguido até o fim de suas idéias, praticando a profissão de cinésio-arcaico e tratando seus pacientes segundo princípios que datavam do século vinte. Fora preciso coragem e ele estava contente em ver que a reputação de Hugo não parava de crescer. Mas hoje sua visita era estritamente profissional.

Encontrou o amigo ao mesmo tempo radiante e esgotado.

– Pareceria que você sai dos braços de uma fogosa insaciável.

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– Foi sua última conquista que me chamou com urgência, porque você não a satisfaz.

– Não se canse, eu sou mil vezes mais atraente do que você e não o vejo nesse papel de roda de socorro. Mas é verdade que não estou com cabeça para isso neste momento. Hugo, eu gostaria que você examinasse o cadáver do Senador Alexis.

– Não brinque, Alphan, estou certo de que todos os seus técnicos do lab-central já analisaram até o menor micróbio.

– É verdade, mas trata-se de vértebras e ninguém é mais qualificado do que você sobre o assunto. E ele resume a situação.

– Se seus especialistas já determinaram que a causa da morte é devida a essa segunda cervical, eu não poderei dizer mais nada, principalmente com a rigidez cadavérica.

– Hugo, você e eu nos reservamos, talvez, alguma má vontade em aceitar nossa época tal como é, mas ela tem, assim mesmo, algumas vantagens. Há mais de quinze anos que nós sabemos perfeitamente conservar os corpos sem recorrer à congelação. Você encontrará o cadáver do Senador tão quente como se ele tivesse morrido há apenas um instante.

Quando os dois homens chegaram ao conservatorium, o cadáver já repousava na sala de análise, como Alphan havia pedido. Encontrava-se ali o que se faz de melhor em termos de material científico: scanners, projetores tridimensionais, palpadores internos, analisadores moleculares e quantidade de outros instrumentos dos quais ele mesmo e Hugo teriam sido incapazes de se servir sem a presença do técnico de serviço.

O cinésio-arcaico explica-lhe o que desejava e começa seu exame. As telas e os projetores holo animaram-se. Alphan identificou a coluna vertebral, em seguida as vértebras cervicais que Hugo mobilizava lentamente, comparando-as com os registros extraídos da memória do masso-rob. Ele não compreendia por que seu amigo examinava com tanta atenção o conjunto do corpo nem por que ele insistia em testar o ombro direito. Ao cabo de uma hora de exame minucioso, Hugo levanta a cabeça e diz-lhe simplesmente “non lieu”.

– Não entendi..?

– “Non lieu”, é uma velha expressão jurídica que data das épocas que temos pena de não ter conhecido e que significa que não há motivo para perseguir o acusado. Na minha opinião, meu colega e o masso-rob são inocentes. E você não pode suspeitar de simpatia corporativista da minha parte em relação a eles… Examine atentamente as projeções, começando pelos registros de vídeo do masso-rob. Nesse dia, o Senador queixava-se de dores violentas no ombro direito e no pescoço, que o fizeram antecipar sua consulta. O robô começou, como você pode ver, pela massagem e a mobilização do ombro. O valor da dor nesse lugar diminuiu de 5 pontos, segundo os critérios próprios a esse aparelho de registro e que eu não conheço. Mas ao mesmo tempo, os captores da nuca anotaram um aumento da dor nesse lugar, de 10 pontos. Observe agora o registro dos meus testes! Quando eu mobilizo o ombro direito, como o masso-rob o fez, eu agravo, efetivamente, a situação da segunda cervical. Ela se coloca em uma posição patológica idêntica à dos registros do masso-rob. É portanto exatamento o que ele fez.

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– Se entendo bem, diz Alphan, corrigindo uma coisa ele agravou uma outra, maldita máquina!

– Exatamente, e é a ilustração da regra de globalidade que constitui um dos princípios da nossa profissão de cinésio-arcaico. É preciso corrigir tudo ao mesmo tempo, ou você se expõe a esse gênero de inconveniente.

Mas deixe-me continuar. Confrontado a essa situação, o último gesto do masso-rob foi o de tentar fazer qualquer coisa no nível da nuca. Seu pseudopode ventral número 2 colocou-se sobre o pescoço, como você pode ver na gravação. Mas já era tarde demais para ele. Ele estava bem em acordo com a primeira lei no nível do ombro, mas a violava no nível cervical, fazendo mal a um ser humano. Então ele disjuntou.

O Senador encontrou-se com uma lesão agravada da sua segunda cervical, uma dor muito aguda aumentada pela angústia provocada em seu pescoço pelo pseudopode inerte e pela impossibilidade de fugir. Seu cardiologista dirá a você se, neste caso, é normal que seu velho coração tenha sucumbido.

Menos de dez minutos mais tarde, eles tinham a confirmação do bom fundamento da hipótese de Hugo. O Senador Alexis deveria submeter-se a um transplante total e um coração artificial no mes seguinte.

O aperto de mão do Comissáiro Geral nunca fora tão caloroso.

– Você me tirou um rude espinho do pé, Inspetor, você sabe o quanto essas investigações envolvendo personalidades políticas de alto escalão são perigosas para nós, pobres policiais.

– Este assunto é original, Senhor, pois finalmente, não há assassino, mas duas vítimas, o Senador e essa porcaria de masso-rob. Quando é que vamos nos livrar de todas essas latas de titânio e de materiais compósitos?

– Não seja tão amargo, Inspetor, todos esses badulaques bio-eletrônicos que nos implantaram, em você como em mim, para tornar mais eficientes os pobres humanos que nós somos, permitem, às vezes, resolver investigações em tempo record.

Alphan não acreditava em uma só palavra, mas contentou-se em murmurar:

– Pode ser, pode ser …

N.D.L.R. – Qualquer tentativa de assimilar o sistema nervoso automático do homem a um robô, qualquer desejo de submetê-lo às regras dos mecanismos de defesa da RPG seria pura “função-científica ”.

por Philippe Souchard

  • André Luis

    Atende-se bem com apenas 7 reais!? 

  • Eder Albuquerque

    A Quantidade nunca foi sinônimo de qualidade.

  • Caro colega , tenho aprendido muito com seus textos. Meu nome é Juliana, tenho 25 anos, me formei a 1 ano e meio, sou casada a 3 anos e tenho uma menina  de 6 meses. Falo isto pois as vezes fico triste com o que recebo MAS, eu prometi primeiro a Deus, segundo a mim mesma  e terceiro na minha formatura, que atenderia os meus pacientes com amor e com paixão. Portanto, tento atender da melhor maneira que eu posso ganhando 3,00 ou 120,00 reais por sessão. E tenho fé em Deus que ELE vai me ajudar me capacitar a cada segundo me tornar melhor , logo colherei os frutos de um bom trabalho que já estou plantando.  NÃO CONSIGO atender bem uma pessoa que me paga 120,00 e mal uma pessoa que paga 3,00(convênio) sendo esta ultima é o que recebo atualmente.  SEI QUE É TEMPORÁRIO E ESTOU PLANTANDO PARA ME VALORIZAR MAIS E VALORIZAR MINHA PROFISSÃO.ESTOU ME CAPACITANDO A MANEIRA QUE POSSO E LOGO SEREI UM EMPREEDEDORA DE MAIS SUCESSO. NÃO Á COMO PLANTAR MORANGOS E COLHER ABACAXI NÃO É MESMO? PORTANTO SE ME CAPACITO, FAÇO BOAS ESCOLHAS, PROMOVO MUDANÇAS, SEI QUE COLHEREI BONS FRUTOS… É QUESTÃO DE TEMPO

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