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O modelo biomecânico atual de terapia manual está agonizando?

5 comentários
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O modelo biomecânico atual de terapia manual está agonizando?

Existe uma crença entre os fisioterapeutas e terapeutas manuais de que assimetrias e desequilíbrios músculoesqueléticos são responsáveis por dores corporais. Caso fosse sempre verdade, esses desequilíbrios produziriam uma mecânica anormal, gerando mais stress nas estruturas articulares, resultando em dores músculoesqueléticas recindivantes, podendo levar a situações de cronicidade. Às vezes, este modelo extrapola os limites do sistema músculoesquelético e chega às vísceras. Quando olhamos isso do ponto de vista de algumas linhas da osteopatia visceral, observamos um foco na correção do movimento visceral e suas relações com o sistema músculoesquelético.

Recentemente, com a evolução da ciência e a exigência da medicina, odontologia e fisioterapia baseadas em evidências, os modelos tradicionais de terapia manual tem passado por questionamentos, visto que nossos procedimentos são testados mais rigorosamente e em situações mais controladas, desafiando muitos dos fundamentos centrados no modelo biomecânico e ensinados por fisioterapeutas, osteopatas e quiropráticos.

Vamos pegar, por exemplo, a dor lombar. Seguramente a literatura científica não dá suporte a certas crenças, como assimetria do tronco, cifose torácica e lordose lombar em adolescentes em desenvolvimento, que causarão dor quando adultos. Ou, ainda, presença de degeneração discal, espinha bífida, vértebra transicional, espondilólise e espondilolistese, diferenças de comprimento dos MMMII causam dor lombar. Esta idéia também poderia aplicar-se em alguns casos de Sindrome patelo-femural, onde patelas às vezes completamente descentralizadas são assintomáticas.

Seria então tempo de mudarmos o paradigma? Não creio que ainda necessitemos uma mudança drástica no paradigma biomecânico, mas precisamos olhar com mais atenção ao grupo de pacientes que ele se aplica. Quando trabalhamos baseados no modelo biomecânico, estamos procurando nos pacientes desequilíbrios musculares, déficits de força, enfim, tentamos encontrar e tratar o tecido ou estrutura que esta causando o problema.

Na clinica diária, lidamos com diferentes tipo de pacientes acometidos por dores musculo esqueléticas.. Encontramos aqueles onde claramente as lesões do tecido conjuntivo estão envolvidas e daí podem decorrer problemas tratados pela terapia manual, tais como hipomobilidade, dor, alterações do controle motor. O modelo biomecânico é particularmente importante nestes casos, quando pensamos que a dor está associada ao tecido conjuntivo e seus efeitos no corpo. Quando nossas técnicas diminuem a tensão sobre as estruturas, elas deixam, por sua vez, de estimular os nociceptores que contribuem para a irritação do sistema nervoso e, assim, a experiência dolorosa pode diminuir e o resultado da técnica ser favorável

Até aqui tudo bem. A questão é um outro grupo de pacientes, os quais os problemas não podem ser explicados através de mensurações e explicações biomecânicas. Em muitos deles não conseguimos encontrar nem a história de um trauma físico importante, mas apresentam dores crônicas, muitas vezes espalhadas. Nesses casos, não é possível encontrarmos um tecido-alvo como produtor da dor (como um ligamento, cápsula etc). Isso acontece em várias situações clínicas, tais como dor lombar inespecífica (85% dos casos), síndrome fêmuro- patelar, lesões do manguito, fibromialgia, entre outras.

O que fazer com um grupo de pacientes que não podemos tratar da mesma maneira que o grupo anterior? A questão central para mim é que, para esses pacientes, necessitamos de um novo paradigma que nos permita guiar seu exame e tratamento. As respostas esperadas com o enfoque biomecânico não podem ajudá-los a mudar a dimensão de sua dor. Mesmo os ferrenhos defensores do modelo biomecânico devem ter humildade para aceitar que existe uma incerteza nos casos de dor em humanos e nas suas causas. É preciso entender que a dor não é uma entidade simples e que talvez requeira, em diferentes situações, um enfoque mais centrado no cérebro, como vem propondo Butler, Moseley , entre outros.

É de fundamental importância, portanto, reconhecer quais são os pacientes os quais o modelo biomecânico pode ser útil para que possamos melhorar nossa prática clínica e não descartá-lo completamente. Precisamos descobrir onde a biomecânica pode fazer a diferença.

Por Palmiro Torrieri Junior – Fisioterapeuta, Osteopata D.O Honnor, Professor Internacional do Conceito Mulligan

  • Olá, muito interessante o artigo. Gostaria do nome do artigo de revisão citado (ELLA W, 2009)

  • Jessica Lorraine

    Muito Bom!

  • André Luiz Reis

    Olá Professor Palmiro, fui seu aluno no curso do conceito Mulligan em Campinas e passo para parabenizar pela excelente matéria e dizer que suas idéias continuam me fazendo pensar e questionar muitos dos conceitos que aplicava até pouco tempo. Viva as possibilidades da terapia manual. Abraço!

  • Ricardo Vieira

    Muito bem Professor Palmiro, é exactamente isso. É inegável e comprovado cientificamente a relação entre o stress e determinados diagnósticos de doença e tensão no corpo. Daí ser importante na anamnese inicial, questionar o paciente sobre os seus padrões emocionais para ver se existem quadros de depressão, ansiedade, padrões irregulares de sono, mágoas etc. Se algum destes padrões estiverem presentes e não existir uma causa aparente biomecânica óbvia, provavelmente existirá uma questão somato-emocional a tornar determinada parte do corpo mais susceptível á lesão. Existem 5 pilares principais comuns a toda a gente que nos dão ou tiram saúde: Postura, meio ambiente, alimentação, hábitos de vida e padrões emocionais, mais ou menos nuns e noutros consoante a sua profissão, estilo de vida, ambiente familiar, carácter, etc. E existem várias abordagens manuais para a dissociação das cargas emocionais negativas como: Terapia sacro-craneana, Manipulação visceral, Zen-shiatsu, Kinesiologia entre outras… Para o diagnóstico dos processos emocionais temos a psicologia da correlação corpo/mente e uma das maiores autoridades na matéria é a Brasileira “Cristina Cairo” com 6 obras escritas algumas “Best-sellers”.

  • Joao Pedro

    Muito bom o artigo !
    Sempre que necessário consulte um fisioterapeuta: http://www.servicosnacidade.com.br em Saúde e Bem Estar, Fisioterapeutas.

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