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Agora chega! (Parte 1)

3 comentários
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enough jason palmiro

Em dezembro, participei do meu último curso Mulligan em Lima, Peru. Enquanto meu amigo Dan demonstrava algumas técnicas aos alunos, fiquei pensando em uma conversa que tive dias antes com um amigo e excelente
fisioterapeuta. Este havia chegado recentemente de um curso de Fascias no exterior e só falava nisto.

Depois de refletir, pensei: Como uma pessoa que eu considerava tão inteligente poderia ter se tornado tão fanático após um curso? Lembrei-me então de um artigo muito interessante e decidi escrever ao Jason Silvernail* para que ele autorizasse a tradução do seu brilhante texto para esta coluna. Ele respondeu prontamente. Confira:

JASON SILVERNEIL FOTO

 

 

 

 

 

ENOUGH IS ENOUGH – Agora Chega!!!!!

Quando é que vamos acabar com esta constante busca de tecidos-alvos como se procurássemos no corpo o SANTO GRAAL?

Quando é que vamos conseguir nos distanciarmos dos enfoques baseados nos tecidos e parar de construir castelos de areia, dogmas, alimentar gurus e jogar dinheiro fora?

Quando as pessoas vão perceber os aspectos básicos relativos à percepção e fisiologia da dor? Para tratar problemas dolorosos, nosso alvo é e sempre foi o SISTEMA NERVOSO.

Alguns dias eu fico tão cansado de ver pessoas que tentam convencer uns aos outros da relevância suprema de algum tecido conjuntivo com o qual ele esta entusiasmado.

Chega!!! Já basta.

No início, tudo girava em torno das disfunções articulares. A terapia manual consistia em encontrar e corrigir desvios e restaurar a posição normal ou o movimento nos segmentos disfuncionais. Mas aí vieram as pesquisas científicas, que começaram a demonstrar pouca confiabilidade nos testes clínicos para confirmar estes desalinhamentos e mostraram uma enorme quantidade de “disfunção” encontradas na população assintomática. Não existe uma maneira válida cientificamente para demonstrá-los ou para associá-los a qualquer problema doloroso ou mostrar que eles se alteram, como resultado do tratamento.

Mas, espere. Aí vêm os que só pensam nas articulações (JointHeads) e dizem: sabemos que articulações são inervadas. Nós sabemos que elas podem desempenhar um papel na propriocepção. Elas também são
inervadas por nociceptores. É demasiado cedo para não se considerar o quão importante as articulações podem ser, dizem eles.

Mas os tratamentos que eles propõem para essas articulações facetarias envolvem contato na pele e movimento nas articulações, músculos, fáscias, nervos, vasos sanguíneos e canais linfáticos – seja o seu programa um tratamento “ARTICULAR” ou exercícios. Assim, os “JointHeads” não podem sequer ter a certeza se são suas facetas articulares que estão sendo principalmente afetadas por seus tratamentos. Existem efeitos
não-específicos e placebo que devemos considerar, assim como a história natural da doença.

Então, passou-se a considerar o papel do disco intervertebral. A terapia baseava-se em encontrar e corrigir as protuberâncias (hérnias, profusões) discais através de exercícios.

Em seguida, a pesquisa começou a mostrar pouca confiabilidade inter e intraexaminadores e entre clínicos para encontrar estes desalinhamentos. Abundância de “disfunção” foi encontrada nos assintomáticos através
de imagens. Também ausência de uma maneira válida cientificamente para demonstrá-los ou para conectá-los a qualquer problema doloroso ou mostrar modificações, como resultado do tratamento.

“Mas, espere”, dizem os que só pensam nos discos (DiskHeads): nós sabemos que os discos são inervados. Nós sabemos que eles podem desempenhar um papel na propriocepção. Eles também são inervados por
nociceptores. É demasiado cedo para não considerar o quão importante os discos possam ser, dizem eles.

Mas os tratamentos que se propõem a corrigir estes desarranjos discais ou transtornos de disco envolvem contato na pele e movimentos das articulações, músculos, fáscias, nervos, vasos sanguíneos e canais linfáticos – quer seja o seu programa tratamento ou exercício. Assim, os “DiskHeads” não podem sequer ter a certeza se os tratamentos estão sendo direcionados especificamente para seus discos. Há efeitos não específicos e placebo que devemos considerar, assim como a história natural de distúrbios da doença.

Em seguida, vieram os que só tem a cabeça nos músculos (MuscleHeads). A fisioterapia deveria identificar a disfunção postural, fraqueza muscular,pontos-gatilho, ou músculos inibidos e corrigí-los com técnicas manuais ou várias técnicas de exercícios – E talvez, até mais modernamente, cutucando-os com agulhas (agulhamento seco). Então, um pouco mais de pesquisa que mostrou pouca confiabilidade científica para
encontrar esses supostos problemas. “Disfunções” abundantes são encontradas no grupo de assintomáticos. Não existe uma maneira validada cientificamente para demonstrá-las ou para relacioná-las a qualquer problema doloroso ou que comprove que podem ser modificadas como resultado do tratamento. Mas, espere, dizem os MuscleHeads: sabemos que os músculos são inervados. Nós sabemos que eles desempenham um papel na propriocepção. Eles também são inervados por nociceptores. Seria demasiado cedo para não considerar o quão importante a disfunção muscular pode ser, dizem eles.

Mas os tratamentos que se propõem a corrigir esses problemas musculares envolvem contato com a pele, movimentos das articulações, músculos, fáscias, nervos, vasos sanguíneos e canais linfáticos – seja este seu programa um tratamento ou exercício. Assim, os MuscleHeads também não podem sequer ter a certeza se seus tratamentos estão sendo direcionados principalmente aos músculos .Existem efeitos não-específicos
e placebo que devem ser considerados, assim como a história natural das doenças.

(Continua aqui!)

* Jason Silvernail DPT, DSc, FAAOMPT
Physical Therapist – USA

  • Bruno Rodrigues

    muito bom!

  • Simone Oliveira

    até quando vão as inscrições???

  • Léa Magalhães

    Haverá curso pré-congresso? Quando será e quanto custará?

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