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Agora chega! (Parte 2)

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enough jason palmiro

Confira aqui primeira parte do texto.

Parte 2:

Mas, aí entraram em cena os que têm a cabeça nas FÁSCIAS, os “FasciaHeads” como meu amigo. Para eles, a terapia manual deve ser capaz de identificar as restrições e mobilidade nas fáscias e corrigí-las com a terapia manual ou várias técnicas de exercícios – E, talvez, até cutucando-as com agulhas. Porém, não há quase nenhuma pesquisa científica que ajude a identificar esses supostos problemas fasciais, e é provável que observando sua semelhança com as outras avaliações manuais, você já sabe onde isto vai dar. Existe pouca confiabilidade clínica para encontrar esses supostos problemas.

“Disfunções” abundantes são encontradas em assintomáticos. Não existe nenhuma maneira válida cientificamente para demonstrar essas restrições fasciais ou relacioná-las a qualquer problema doloroso ou que comprovem que podem ser modificadas, como resultado do tratamento. Mas, espere, dizem os “FasciaHeads”: Sabemos que fáscia é inervada. Sabemos que desempenha um papel na propriocepção. As fáscias também são inervadas por nociceptores. Veja como elas se conectam com todas essas regiões do corpo, como os trilhos de trem conectam as estações. Seria demasiado cedo para não considerar o quão importante a disfunção fascial pode ser, dizem eles.

Mas, os tratamentos que se propõem a mudar esses problemas envolvem o contato com a pele, músculos, às vezes movimentos das articulações, fáscias, nervos, vasos sanguíneos e canais linfáticos – quer seja o programa um tratamento ou um exercício. Assim, os “FasciaHeads” não podem sequer ter a certeza que o seu tratamento está, principalmente, sendo direcionado à sua FÁSCIA. Existem efeitos não específicos e placebo que devem ser considerados assim como a história natural da doença.

Pessoal, não precisamos de nenhuma dessas coisas para nos sentirmos importantes. Se estamos falando sobre dor, estamos falando de algo que ocorre no cérebro, e não na coluna, ou nos músculos, ou articulações. O sistema nervoso e sua complexidade da percepção e processamento da dor é mais que suficiente para ser usado como um modelo explicativo para conduzir nossos tratamentos.

Abordagens que têm como alvo primários o cérebro ou tecido nervoso parecem estar em maior consonância com a ciência atual. Os modelos tradicionais de terapia manual estarão perfeitamente alinhados com a ciência moderna se eles observarem as respostas do paciente para tomar decisões sobre tratamento, em vez de ficarem atreladas a histórias sobre o posicionamento das articulações, alinhamento ou “restrições” de algum tipo.

Nós precisamos, coletivamente, superar esta especulação sem sentido sobre as restrições fasciais, posicionamento e pontos-gatilho. Se queremos manusear e tratar estes pacientes da forma tradicional e associados a esses métodos, sem problemas, isso é bom. Mas devemos manter a neurociência da dor na linha da frente, prestar atenção para a grande pesquisa que vem sendo publicada em relação aos mecanismos de terapia manual, e, pelo amor de Deus, não dar aos pacientes um efeito nocebo gigante, dizendo que eles têm restrições fasciais, músculos inibidos ou articulações fora do eixo.

Porque, então, eu tenho que explicar para eles que isso não é preciso. E isso é desgastante. É muito menos sobre o que você faz e mais sobre como você pode explicar isso para os pacientes e colegas. Você pode explicar sendo um terapeuta embasado cientificamente ou você pode inventar uma história.

Francamente, estou cansado de corrigir a bagunça que as pessoas fazem por transmitir essas ideias sobre dor e função para os pacientes, Ideias que não têm qualquer relação com a ciência moderna da dor.

Você é um JointHead, um DiskHead, um Musclehead ou um FasciaHead? Não mude suas ferramentas, mude seus modelos explicativos. Cruzar o abismo pode ajudar.

Porque, realmente, agora chega!!! (Enough is enough)

JASON SILVERNEIL FOTO

 

 

 

 

 

 

 

* Jason Silvernail DPT, DSc, FAAOMPT
Physical Therapist – USA

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