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Existe papel para a terapia manual nas dores abdominais?

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É seguro afirmar que, apesar de atuar em diversas áreas, a terapia manual raramente é indicada aos pacientes que sofrem de dores abdominais.

Não é difícil entender isto. As dores abdominais são extremamente frequentes nas emergências e consultórios médicos, podendo até resultar em cirurgias. Alguns autores calculam que entre 17 a 43 % dos pacientes que procuram por atendimento com clínicos gerais apresentam dores abdominais (Vandvik) sendo que de 20 a 40% das internações hospitalares são decorrentes dessas dores.

Quando consideramos as possíveis causas das dores abdominais, encontramos mais de mil, o que dificulta muito o diagnóstico. E, para complicar mais, em 50% dos casos não é possível definí-lo por completo. Daí o ditado que sempre ouço no hospital: dor abdominal é um sintoma comum, mas não um diagnóstico comum.

E quando buscamos pela atuação da terapia manual neste tipo de dores, observamos que a pesquisa cientifica é escassa e limitada. Por que, então, deveríamos falar em terapia manual para algumas dores abdominais?
Quando os sintomas persistem e as causas graves de dor abdominal já foram excluídas, o sistema músculo-esquelético deve ser examinado. Desta forma, abre-se uma boa perspectiva para nossa atuação, pois tanto a coluna vertebral quanto a parede abdominal são fontes potenciais de dores abdominais e ninguém melhor do que os terapeutas manuais para avaliar o sistema em questão.

E não é de hoje que vários autores demonstram que estruturas da coluna vertebral são capazes de produzir sintomas no abdômen, incluindo sensibilidade cutânea (Feinstein et al 1954,Kellgren 1938, 1939, Lewis & Kellgren 1939, McCall et al 1979). A prova disso é que bloqueios terapêuticos realizados na coluna vertebral podem diminuir a dor abdominal (Ashby 1977, Jorgensen & Fossgreen 1990, Mollica et al 1986, Perry 2000, Stolker & Groen 2000).

Maigne, um fisiatra francês, descreveu a Síndrome da junção tóraco-lombar, onde os níveis de T11/T12/L1/L2 estão implicados. Raramente existe dor nestes níveis, exceto quando palpamos a área, mas a dor é referida na região abdominal baixa, podendo mimetizar problemas viscerais.

Além da coluna, podemos também atuar nas dores oriundas da parede abdominal. Neste caso, quando nos deparamos com dores de característica constante ou flutuante e às vezes episódicas, não relacionadas com refeições ou função digestiva e cuja Intensidade está relacionada à postura mantida ou ao movimento, abre-se uma perspectiva para os terapeutas manuais.

A palpação pode revelar sensibilidade abdominal não alterada ou incrementada quando a parede abdominal é tensionada (sinal de Carnett positivo) e presença de trigger points localizados principalmente nas margens do reto abdominal, nas inserções ou na fáscia. A estimulação do trigger gera um padrão de dor referida ou espalhada sobre uma grande área.

E quais seriam os tratamentos possíveis ?

Sem querer entrar no mérito das técnicas viscerais osteopáticas, onde praticamente não encontramos artigos científicos, mas existem inúmeros livros publicados, as técnicas de manipulação ou mobilização da junção tóraco-lombar poderão ser úteis. Outras possibilidades incluem as técnicas neurais propostas por Barral e as da Diane Jacobs (dermoneuromodulação), assim como as técnicas articulares (Maitland, Mulligan, energia muscular) e os diferentes modelos de tratamentos para os trigger points, para citar só algumas.

Para aqueles que querem expandir sua área de atuação e, consequentemente, novas oportunidades, sugiro que não esqueçam as red flags (bandeiras vermelhas) e procurem aprofundar-se um pouco mais nos aspectos do diagnóstico diferencial. Afinal, não são todas as dores abdominais que são passíveis de tratamento por técnicas manuais e saber reconhecê-las é o primeiro passo para o sucesso do tratamento.

Por Palmiro Torrieri Jr.

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