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Leis de Fryette: é hora de repensar o modelo?

21 comentários
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Em 1986, quando iniciei minha formação em Osteopatia, um dos assuntos que mais me fascinava era as LEIS DE FRYETTE.

Baseie-me neste modelo durante anos, até que um dia, depois de ter feito um diagnóstico a partir destas leis, preparei-me para executar a manipulação corretiva. Por descuido, posicionei-me de forma inadequada e manipulei tal paciente em FRS, como se estivesse tratando uma ERS.

Quando me dei conta já o tinha manipulado. Resolvi colocá-lo em pé e refiz os testes.

Surpresa!!!

A resposta foi excelente, o que me deixou muito curioso, uma vez que eu já sabia do meu “erro”. A partir daí inúmeros questionamentos passaram a fazer parte do meu raciocínio crítico. Pela primeira vez surgiu minha desconfiança em relação à confiabilidade dos diagnósticos baseados nestas leis, principalmente em relação à coluna lombar e torácica.

Esta desconfiança aumentou a partir do momento que comecei a utilizar técnicas baseadas na resposta sintomática dos pacientes (Mulligan, Mckenzie), onde o que é mais importante é como o paciente responde aos reposicionamentos articulares ou exercícios repetidos.

Mas afinal, o que são “as leis de Fryette”?

Em 1918 Fryette divulgou um modelo biomecânico, baseado nas possibilidades de acoplamento vertebral, cujos estudos partiram de uma coluna dissecada com uma ligeira compressão vertebral e publicou suas observações no seu livro “principles of osteopathic technic”. Baseado nestas leis, encontraríamos três tipos de disfunção:

Tipo I, ou primeira Lei, também conhecida como NSR: uma disfunção em inclinação lateral e rotação contra-lateral.

A primeira lei postula que quando o sujeito está em pé com a coluna em posição neutra (sem flexão ou extensão), a inclinação para um lado será acompanhada por rotação para o lado oposto.

Já a segunda lei diz respeito às lesões não neutras e afirma que quando a coluna é flexionada ou estendida (não neutra) a inclinação para um lado será acompanhada por rotação para o mesmo lado. Por exemplo, se o sujeito flexiona a coluna, e inclina lateralmente para a direita, a rotação ocorrerá para a direita.

Tipo II em extensão (ERS), onde encontraremos uma disfunção em extensão, inclinação lateral e rotação ipsilateral; a tipo II em flexão (FRS), com disfunção em flexão, inclinação lateral e rotação ipsilateral.

Finalmente a terceira lei, a única que podemos dizer à luz do paradigma mecânico, que realmente funciona: quando introduzimos o movimento em um plano, isto irá reduzir o movimento nos outros dois.

Embora o próprio Fryette nunca tenha chamados suas propostas de leis, estas foram adotadas por inúmeras escolas de osteopatia dos EEUU e Europa, constituindo-se na base dos diagnósticos osteopáticos que envolvessem a coluna vertebral.

Até hoje este modelo e adotado pedagogicamente por muitas escolas de osteopatia.

Ocorre que sua inadequação aos padrões biomecânicos sugeridos pelos estudos mais recentes me leva a considerar qual o lugar mais adequado para este modelo. Será que ele deve ser completamente abandonado? Ou quem sabe talvez repensado a luz de uma medicina ou osteopatia baseada em evidências.

A análise atual é baseada em modelos tridimensionais. Esta metodologia de estudo, principalmente quando aplicada à coluna lombar, resulta em respostas discrepantes e conflitantes em relação a proposta de Fryette (Vicenzino, Fryer, etc)

Estes estudos mostram que, em alguns casos, o movimento principal pode vir acoplado com mais cinco movimentos. Esta informação já aponta para uma inexatidão nos padrões FRS/ ERS/NSR, propostos pelas leis de Fryette.

Vamos pegar, à guisa de exemplo, o ensino clássico das técnicas de Energia Muscular, de Mitchell (MET), que são praticamente casadas com as leis de Fryette, como discute Gary Fryer em seu brilhante artigo: Muscle energy concepts: a need for a change (conceitos de energia muscular: necessidade de mudança), publicado em 2000. “Se os pacientes possuem restrições de inclinação e rotação, não poderia haver o envolvimento de restrições simultâneas de flexão ou extensão. Desta maneira dentro dos tratamentos clássicos não existem descrição de técnicas que possibilitem combinar inclinação, rotação associadas às restrições de F ou E, mas sabemos que na prática clínica elas podem ocorrer”.

John Bayliss, outro crítico das leis de Fryette, sustenta, tomando como base a coluna torácica, que “se a coluna torácica se articulasse como a teoria proposta por Fryette, nós, como humanos, estaríamos impedidos de respirar de forma eficiente. Isto porque as costelas deveriam estar em paralelo para que respirássemos corretamente. Assim você não pode ter uma teoria que diz que elas inclinam e rodam”.

Harrison e colaboradores também já haviam demonstrado, em uma revisão sistemática, que investigações tridimensionais completas dos padrões de acoplamento têm mostrado que as vértebras rodam e transladam em todos os três eixos e que teorias prévias de acoplamento baseadas em estudos bidimensionais são inacuradas e inválidas.

Em 2001 um osteopata chamado Gibbons publicou um artigo sobre os riscos e benefícios das manipulações vertebrais, e discutiu as Leis de Fryette: “Existe evidencia para dar suporte as LEIS DE FRYETTE em relação à inclinação lateral e rotação acopladas para a coluna cervical, ou seja, a inclinação lateral e rotação ocorrem do mesmo lado (Stoddard 1969; Mimura et al. 1989). Entretanto a evidência em relação ao acoplamento da coluna lombar é inconsistente (Pearcy &Tibrewal 1984; Plamondon et al. 1988; Panjabi et al. 1989; Vincenzino &Twomey 1993). Como conseqüência as Leis de Fryette podem ser úteis para prever o acoplamento na coluna cervical, mas cuidado deve ser exercido com a interpretação para as colunas lombar e torácica.“

Por causa disso, algumas escolas Europeias já não ensinam baseados nestas Leis, embora aqui no Brasil e América do Sul a maioria das escolas continue a fazê-lo.

Como docente que fui durante anos não vejo muita lógica em ensinar baseado em um modelo já ultrapassado e venho discutindo isto, desde longa data, com meus colegas professores de diferentes escolas de osteopatia. Talvez eu seja uma das poucas vozes que clamam no deserto.

A justificativa comum à manutenção do ensino destas regras geralmente passa pela crença de que este modelo facilita a compreensão dos alunos iniciantes. Ou então a consideração de uma tradição pedagógica, etc.

É inegável que o dr. Harrison Fryette teve uma grande contribuição para nosso entendimento atual de como a coluna vertebral funciona. Entretanto esta idéia foi testada ao longo dos últimos anos, de maneira que as evidências atuais mostram que existem algumas lacunas nas idéias originais de Fryette. Estas lacunas precisam ser consideradas. Acredito
que se tais idéias persistiram até hoje é porque foram uma boa maneira de explicar as lesões osteopáticas vertebrais antes dos estudos mencionados acima.

Mas o me preocupa é esta resistência que se cria no âmbito acadêmico em relação ao novo, a ponto de alguns grupos ignorarem trabalhos relevantes e manterem uma ideia aparentemente superada.

Então deixo aqui uma pergunta para reflexão dos leitores: será que é valido perpetuar um modelo de ensino, baseado num modelo biomecânico defasado em relação às propostas biomecânicas atuais, somente para preservar uma ideologia ou uma tradição?

Palmiro Torrrieri Junior

PT, DO Hon, MCTA

  • Maísa

    Olá Helder,

    Quanto, mais ou menos, você indicaria para um fisioterapeuta particular cobrar a sua consulta?

    Abraços.

    Maísa

  • Mestre Palmiro, concordo com vc, modelos como as Leis de Frytte, serviram sim para elucidar melhor a compreensão, e para gerar as pesquisas que hoje as questiona, a resistência, ocorre pois quebra a zona de conforto de muitos dirigentes que estão a frente das escolas, muitos tem medo do novo….os que se flexibilizam e evoluem com o andar da historia, é que se tornam referencias e se destacam, ante seus próprios colegas e clientes……
    Grande abraço.

    • Ricardo Sena

      Realmente, como venho da formação de terapia manual, onde as técnicas manipulativas são oriundas da Osteopatia, nunca entendí perfeitamente como propunha esta lei de Fryette. Após fazer a formação em Quiropraxia notei que as hipomobilidades e análise Clínica são mais importantes. Por isso quando o Professor Palmiro fez o ajustes em FRS que seria a inclinação lateral da Quiro teve êxito pois o aumento do deslizamento e desbloqueio fascetário melhora os outros movimentos dos outros planos, pelo simples fato que há uma decoaptação, e reequilíbra o tonus simpatico exacerbado , entretanto há diferenças em promover decoaptção em Inlcinação lateral e rotação, pois uma abre o foramem intervertebral e a outra fecha,isto será muito ruim se o que se quer é descomprimir uma raiz nervosa.Por isso passo aos meus alunos a importancia do que se quer com o ajuste no local da lesão. Já ajustes em regiões hipomóveis distantes da lesão são mais fáceis, pois não envolve o processo inflamatório presente, desta forma o ajuste pode pelo reequíbrio dos pilares vertebrais promover uma melhora, podemos citar como exemplo tratar os problemas cervicais , ajustando a torácia alta e média, se o Fisioterapeuta vai utilizar a técnica em flexão ou extensão , isto dependerá da clinica .

  • A resistência parte do princípio que o individuo terá que refazer tudo que ele acredita, que baseia sua atuação acadêmica e muitos tem medo de recomeçar. Mas o Novo é inevitável, principalmente quando segue com evidência forte. Uma hora eles TERÃO que aceitar, sobre o risco de ficarem não só obsoletos, mas também irrelevantes.

  • Glaucia Cantergiani

    Profº Palmiro, fui sua aluna no curso de fisioterapia no início dos anos 90. Atualmente, não exerço a profissão de fisioterapeuta, mas continuo lidando com os corpos humanos numa outra abordagem (sou profissional de Yoga). Entretanto, meus conhecimentos de formação básica me dão muita segurança e alegria ao reaizar meu atual trabalho. Mas, o que quero deixar registrado aqui é que, na minha opinião, a atitude de continuar buscando, fazer novas descobertas em cima de uma descoberta anteriror, questionar, observar e refletir com as respostas dos próprios pacientes, é um comportamente de extrema importância. Estamos aqui para evoluir, em conceitos e em atitudes, e o que o Sr. faz é isso. Ao meu ver, manter modelos, ideologias e atitudes é se acomodar no próprio crescimento e no crescimento dos que nos cercam.
    Parabéns pelo seu trabalho! Continue nos ajudando a descobrir novos paradigmas e a cuidar das pessoas com propriedade e dedicação!
    Glaucia Cantergiani

    • Palmiro

      OI GLAUCIA
      Que bom!!
      Fico feliz por voce ter encontrado um caminho dentre os vários possíveis
      voce que ja me conhece sabe que sou um eterno questionador das ditas verdades científicas
      Adoro as novas idéias mas sou favoravel a sua investigação pelos modelos científicos aceitos atualmente
      Abc

  • Thiago Rebello

    Prezado Prof° Palmiro, considero absolutamente pertinente todos os questionamentos acerca das leis de Fryette. Acredito ainda, que tais questionamentos possam ser extrapolados para diversas outras temáticas em terapia manual, cuja à abordagem ainda é realizada com embasamento dogmático ou apoiada em teorias ultrapassadas e desmistificadas por evidências mais recentes. Particularmente julgo inconcebível a ideia de justificar a manutenção de um modelo comprovadamente falho, sob o argumento de manter a tradição ou o propósito pedagógico. Considero indispensável que as evidências científicas permaneçam em primeiro plano em detrimento das ideologias e tradições, afinal de contas, se isso não fosse o fluxo natural das coisas, continuaríamos adotando como verdade o modelo geocêntrico em homenagem a Ptolomeu.

    Thiago Rebello.

    • Palmiro

      OI Thiago
      Concordo com voce.A idéia é questionarmos os modelos.Quando eles são derrubados como aconteceu com a s Leis de Fryette para a lombar,precisamos desenvolver um novo modelo explicativo e não ficarmos presos a tradição
      esta é a maneira de evoluirmos do ponto de vista científico

  • Leandro Sousa

    Caro Professor: parabéns pelo artigo. Sou Fisioterapeuta Osteopata D.O e leciono aulas no curso de Pós graduação da EBEFO em Campinas/SP. Quando ensino aos alunos as leis de fryette, sempre deixo algumas pistas de que outros fatores devem ser considerados para aplicação das técnicas. Uma das coisas que deixo claro é que a diversidade de reações de cada um de nós frente a estímulos nocivos é infinita e, portanto, a acomodação dos tecidos pode variar de uma pessoa para outra. Outro ponto que friso é o seguinte: o mais importante não é a hipermobilidade ou a hipomobilidade e sim o fator que causa tais reações. No meu entendimento, o que ocorre realmente é que ERS, FRS ou NSR ou qualquer outro nome que se dê, são interpretações didáticas e que não correspondem à verdade. Quando você manipulou ERS no lugar de FRS estava, antes de tudo, estimulando um tecido que faz parte de um elemento essencial na nossa avaliação: a Metâmera, ou seja, a lesão E,F ou N, não existem na verdade, o que importa é a forma que estimulamos determinada área do corpo.

    Leandro Sousa.

    • Palmiro

      OI LEANDRO

      Grato pelo comentario

      O que acontece é que muitas vezes os mecansimso neurofisilógicos são muito mais importantes do que o componente mecânico dos problemas

      Discutimos isto aqui em :O modelo biomecanico de terapia mmanual esta agonizando e no brilhante artigo do Jason:Enough is Enough
      Steven George em seu artigo The Mechanisms of Manual Therapy in the. Treatment of Musculoskeletal Pain e Joel Biaolvisk em The Mechanisms of Manual Therapy in the Treatment of Musculoskeletal Pain: A Comprehensive Model entre outros vem confirmando esta visão

      Acho esta uma leitura indispensavel a todos que se interessam pela terapia manual

      Oque voce coloca tambem é fudamental.O conceito moderno de dor esta associado ao que o cérebro considera uma ameaça.Lorimer Moseley no ultimo CIRNE aqui no Rio discutiu isto profundamente em seu seminario

      Alias quem puder acessar o youtube e assistir esta palestra não se arrependera

      Pain. Is it all just in your mind? http://www.youtube.com/watch?v=-3NmTE-fJSo

      Ai vai o link
      Palmiro

  • www.fisioterapiaonline.com

    excelente artículo

  • mateus

    Grandes palavras para aquele estudante que sonha em se tornar profissional porém se mantem preso no medo da pouca rentabilidade oferecida pelo curso. Muito bom

  • Olá Prof. Palmiro, sou Quiropraxista com visão amplamente integrativa e holista… Portanto, partilho com você algumas observações que ao longo de minha pratica clínica, levo em consideração alguns fatores…
    De regra você percebeu ter feito uma atuação errônea, quando na realidade era outra que deveria ter sido feita. Será?
    A meu ver quando vc se descuidou da racionalidade e seu corpo agiu com todos os recursos disponíveis, fez o que era para ser feito e os resultados foram os que se apresentaram e sem problemas maiores.
    Quem estava certo naquele momento, seu corpo “conversando” com seu paciente ou sua mente conversando com o seu “saber”?
    Muita vezes ocorreram comigo em algumas atuações onde a manipulação cervical se fazia necessária e os resultados alcançados eram insatisfatórios, no entanto, quando da inserção de aspectos relacionados à vida daquela paciente, os resultados obtidos foram extremamente satisfatórios…
    Veja o ocorrido: após as tentativas de liberação articular na cervical com a paciente em decúbito dorsal com baixos resultados, veio à minha mente uma situação descrita pelo meu “mestre” em quiropraxia em uma de suas aulas sobre um paciente que só “liberava” a ação em sua cervical, com a porta de seu consultório aberta e ao final do atendimento – explicação resumida: o Paciente era um alto executivo de uma multinacional e sempre que entrava em uma reunião, tinha sempre uma alternativa, um plano B, UMA SAÍDA… simbolicamente a porta fechada era para ele um bloqueio, um impedimento à um plano B, não havia alternativa, a partir desse dia esse paciente, ao final do atendimento era manipulado a cervical com a porta aberta e sentado.
    Diante desta história fui verificar correlações com aquela paciente e qual minha surpresa, que quando ela esta sentada ou em pé, a manipulação facilmente acontecia, depois continuei a observar qual seria essa relação em resposta ao decúbito dorsal.
    A relação estava em qual dia e horário ela marcava seu atendimento: sempre que ocorria nos dias da semana (qualquer horário) as manipulações efetivas eram com ela sentada ou em pé, e quando no final da tarde de sexta (após o expediente), no sábado ou em férias elas podiam ser feitas em decúbito dorsal… A relação tensional com as responsabilidades do trabalho não permitiam a entrega de sua cervical à uma manipulação em DD, somente sentada ou em pé, e quando essa responsabilidade não estava presente a entrega era tranquila e permitida… Posto isso, coloco que mesmo com um vasto conhecimento nas técnicas manipulativas, as percepções comportamentais ou emocionais podem interferir positiva ou negativamente em nossa manipulações, com aquele corpo permitindo ou não, independente da vontade do terapeuta…
    Outro ponto que abordo (embora, com muito valor científico, mas tem suas limitações também) é o pensamento mecanicista do Modelo Biomédico Cartesiano, (leitura recomendada – O Ponto de Mutação – Fritjof Capra), onde o corpo humano é visto como uma máquina (“perfeita?”), onde as respostas são “fixas” e imutáveis como o é nas máquinas, tanto que uma das disciplinas que mais apresentam discrepâncias nas avaliações é a Biomecânica, onde avanço e coloco minhas avaliações numa abordagem de Biodinâmica, que compreende todos os movimentos ora permitidos em uma articulação.
    Por ex.: uma articulação inter-falângica onde existem movimentos (ativos) de flexão, extensão e circundução (na biomecânica). Na Biodinâmica são acrescidos os movimentos (passivos ou conjuntos) de rotação interna e externa, flexão lateral e medial, deslize medial, deslize lateral e finalmente deslize longitudinal, onde cada qual é responsável, também, para saúde articular e havendo restrições em quaisquer destes movimentos, em seu limite articular, gerará uma disfunção biodinâmica e toda a sorte de consequências naquela articulação…

    Portanto, quando você coloca que algumas “leis” anteriormente aceitas e tidas como um axioma, deveriam serem revistas, concordo e saliento como necessário, sem, no entanto, guarnecer de cuidados no que tange à fisiologia natural do corpo, quando somente visto pelo modelo mecanicista, há muito ainda o que ser abordado e abrangido na nuances da evolução do ser humano e outros seres vivos, quando se olham para eles somente com a visão mecanicista… Outro caso, onde uma paciente com desnivelamento pélvico e sacral em oposições (torção pélvica), após aferição destes desníveis houve uma longa conversa a respeito dos possíveis problema acontecidos para tal, acabou-se enredando para alguns problemas de vida pessoal e profissional, as quais estaria passando naquele momento. Na visão da Psicossomática problemas na pelve é tido como alterações dos caminhos de vida. Após essa conversa, foram feitas novas aferições e como que por mágica os desníveis foram desfeitos e ela estava nivelada. Pelos testes de Cinesiologia Aplicada foram constatados inter-relações entre os problemas (relatados) e as disfunções pélvicas. Foram feitas as manipulações sacro-ilíacas e os resultados forma muito positivos, inclusive com a percepção da paciente em se sentir mais segura e estruturada… Assim, mesmo que aparentemente algumas situações pareçam não terem explicações (“científicas”), não é porque são inexplicáveis, apenas, ainda, pode não tê-las do ponto de vista cartesiano, mas já se vislumbra muitas respostas no campo da Neurociência…
    Boas pesquisas em sua prática clínica e boas experiências em sua inquieta curiosidade e seu constante impeto em aprender…
    Carlos Boccacino
    Quiropraxista.

    • Eliane Silva

      Olá Carlos gostaria de saber o que pensa sobre o tratamento de escoliose na terapia manual e no Pilates?

      • Olá Eliane, já tive alguns casos de jovens com escoliose e um caso de uma mulher de 50 anos. Este último, já estabilizada, porém, com uma curvatura extremamente acentuada (mais de 60 graus) em S, no entanto, sem comprometimento cardio-respiratório ou outro qualquer, inclusive com 2 gestações (onde descobriu essa anomalia), em q teve duas indicações cirúrgica à época, sem que a realiza-se por opção dela e de um médico de sua confiança que a mantém assim até hj, com orientações de exercícios e atividades voltadas para ela. Em suas manipulações ela sempre apresentava incômodos na Sacro-ilíaca e coxo femural, e nada onde as curvaturas se apresentam exacerbadas, e assim tem sido. Entre as jovens, todas tem evitado a cirurgia (até onde sei), pois somente uma atualmente ainda continua em tratamento. Esta jovem começou comigo aos 16 anos e tem recebido os seguintes tipos de terapias, cada qual a seu tempo e necessidade:
        Quiropraxia, Técnica básica de Logan, Pilates (de forma terapêutica), Auriculopuntura, Florais Saint Germain, Terapia Cranio Sacral, Cinesiologia Aplicada, Ortopedia Funcional dos Maxilares (Especialização da Odontologia), Remoção dos Sisos Oclusos e interferentes nas raízes dos 2 molares (foi uma opção necessária após todas tentativas de se manterem eles para apontarem e “nascerem”). Hj ela está com 24 anos, sua escoliose regrediu vários graus e tem nos surpreendido a cada momento com novas alterações (a última foi com a remoção dos Sisos inf. e sup. esq. ainda faltam os da dir.) que manifestou novas alterações de melhora em sua estrutura. Portanto, Eliane, vejo com muito bons olhos e resultados as atuações manipulativas e de exercícios físicos para tal, desde que os profissionais envolvidos entenda como funcionam as vertebras (rodam – ao invés de só inclinarem lateralmente) nos casos de escolioses. Além disso, vejo a necessidade de um desses profissionais ser aquele que acompanhará o caso até a finalização do tratamento e concluirá o caso ao final. Os demais estarão atuando ora como coadjuvantes ora como adjuvantes em cada fase se necessário. Quanto às aplicações manipulativas é importante que as articulações estejam livres (ação da quiropraxia) para ser promovido os alongamentos, fortalecimentos e resistências oferecidas pelo Pilates, assim se evita fortalecer aquilo que está preso e “torto”. Como este espaço é pequeno para tanta informação, qualquer coisa, se quiser, poderemos entrar em contato pessoal e falamos a respeito… Carlos Boccacino

        • Eliane Silva

          Carlos muito obrigada pelos esclarecimentos.

      • Além disso, Elaine, nos diversos casos que atendi, sempre observei que o aparecimento da escoliose tinha dois pontos em comum, ela se iniciou com o uso ou pouco tempo após o uso de aparelhos ortodônticos e a sutura sagital palatina apresenta uma curvatura que acompanha a escoliose. Nesse aspecto, faço uma observação, segundo o entendimento que tenho e é partilhada com alguns profissionais da ortodontia sistêmica e ortopedia funcional dos maxilares, em que o corpo que sofre adaptações compensatórias (fixações articulares entendidas pela quiropraxia) pode estar forçando o sistema estomatognático a readaptar os dentes na boca (entortar), para manter a oclusão de mordida (mesmo que disforme) ou os dentes (com aparelhos ortodônticos), forçam todo o sistema a torcer o corpo para se equilibrar com a nova posição dental e aí pode estar provocando as escoliose (idopáticas). Este é um pensamento que está se firmando, na medida que aparecem novos casos e podemos avaliar melhor se estas ocorrências confirmam este pensar… Porém, com os resultados que estão se apresentando tem-nos deixado animados… Falta muito ainda a aprender e aplicar, mas estamos caminhando… Mais um novo pensar se agregou nesse tipo de tratamento de escoliose, que é a psicossomática, onde indica que ocorre uma intenção mental de “desviar dos caminhos de vida”, por isso a atuação com florais e orientações psicológicas… E assim vai… Espero poder ter contribuído com informações que sejam relevantes para vc… à disposição para mais informações…

      • Lembrei de mais um fato: Existem algumas escolioses grau menor, que classificaria como Quadro Escoliótíco, ou falsa escoliose, pois quando ocorre um desnivelamento pélvico (8 tipos), ocorre uma adaptação compensatória do corpo como um todo, onde desenvolve o aparecimento deste quadro, onde com a manipulação pélvica para remoção desse desnível, por consequência também remove essa aparente “escoliose”… Os desníveis podem ser:
        1- Cristas Ilíacas niveladas – Base Sacral em desnível dir ou esq. (2 tipos aqui)
        2- Base Sacral nivelada – Cristas Ilíacas em desnível dir. ou esq. (+ 2 tipos)
        3- Crista Ilíaca em desnível dir. ou esq. e Base Sacral em desnível orientadas para o MESMO lado dir. ou esq. da Crista ilíaca. (+ 2 casos)
        4- Crista Ilíaca em desnível dir. ou esq. e Base Sacral em desnível orientadas em OPOSIÇÃO ao lado desnivelado da Crista Ilíaca, nesse caso o mais grave dos desníveis, onde ocorre uma “torção” pélvica e também, onde há as crises Lombo-sacras se manifestam com quadro álgico mais aguda, muito comumente, confundidas ou diagnosticadas como crise de lombalgia ou ciatalgias.

  • valmira ferreira

    olá, eu ainda não me formei mas sempre converso com profissionais já formados e realmente vejo muito desanimo e vejo muita reclamação em relação ao desgaste.

  • valmira ferreira

    confesso até que já pensei em mudar de curo mas depois falei para mim mesma que eu posso fazer a diferença.

  • Alan Dantas Amaral

    A pedido de uma amiga muito especial @franciellegodoy, li os comentarios fabtasticos do Palmiro e acrescento minha pratica como terapeuta manual, quiroprata e terapeuta da medicina psicossomática. Na quiro hj em dia, principalmente por principios americanos, seguinos o sentido do bloqueio para manipular de forma sempre indolor. Nao é um chute (o que alguns poderiam achar), mas e vc respeitar as bases e leis da fisiologua articular sem se restringir a conceitos preformados e para que possa ser feita a manipulação . Adorei o q o carlos boccacino falou. Isso é medicina psicossomática. GnM…. como queiram chamar. E hj em dia vejo isso muito na minha prática. Em resumo eu como quiroprata nao sigo os protocolos q a escola sugere das manipulacoes globais. Isso pra mim e atirar no escuro. As leis de freyet sao boas para entendimento de biomecanica, mas creio que nao passa de uma fisiologia articular setorizada e amarrada a outros conceitos. Nao ha nada de novo nela, ha apenas associações. A fisiologia e o mais importante. Entender do posicionamento osseo, articular, ligamentar. Isso sim é importante, portanto quando “vamos no sentido do bloqueio” nao estamos chutando, mas sentindo a verdadeira restrição que cada um vai ter. E dentro disso, o comando maior do nosso cerebro emocional pode impedir que uma manipulação se concretize, porque em alguns casos a dor e oa bloqueioa não vem somente do corpo físico mas também do nosso cérebro emocional. As leis e conceitos sao fundamentais para a construcao de um raciocinio e aprendizado, mas nao deve ser levados como a única verdade.

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